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PESQUISA ESCOLAR - PROF. LILIAN


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TABAGISMO- III

TUDO BEM, A GENTE SE VICIOU EM NICOTINA.
QUAL O PROBLEMA? É SÓ A GENTE PARAR AGORA


'As pessoas estão dispostas a ir para a guerra e até a abrir mão de suas vidas por uma causa, mas elas não podem abrir mão das causas do seu sofrimento'. Extraído do livro Gestos de Equilíbrio, de Tarthang Tulku.




A prisão © Elihu Duayer

Não sei se vocês já utilizaram, alguma vez na vida, a palavra abstinência. Vou resumir aqui alguns sinônimos encontrados em dicionário da língua portuguêsa: abstenção, castidade, continência, dieta, jejum, privação voluntária, moderação, renúncia, resguardo, sobriedade e, suspensão, entre outras.

A diferença entre parar com um vício e mudar um hábito, é como uma noite escura e um dia de sol. Por exemplo, se um de vocês vai para escola sempre pelo mesmo caminho, ao final de uns dias estará criado um hábito. O hábito de pegar aquelas mesmas ruas para chegar àquele destino, por razões diversas, como a menor possibilidade de ser assaltado, ter mais árvores, etc. No entanto, se de repente você se interessar por aquela menina muito gata ou, aquele gato muito gato e, ela(e) morar numa outra rua e você quiser distraidamente, passar, por acaso, na porta da casa dela(e), bem justo na hora em que ela(e) sai para escola, você vai ver (ou, já viu), como é (foi) fácil, tranquilo, mudar aquele hábito. Não houve nenhum sofrimento, bastou dizer para si mesmo(a):"vou passar, sem querer, pela rua tal hoje". Não foi necessário colocar agulhas de acupuntura ou aplicar raios laser na ponta da orelha, entrar para um grupo de apoio, usar adesivos colados na bunda, tomar antidepressivos ou coisas que tais, você simplesmente escolheu, livremente, o que queria fazer e, mudou o hábito de pegar aquelas mesmas ruas.

Durante algumas semanas, fiquei totalmente habituado a só ouvir o CD Bicho Solto, do Djavan. Absolutamente, não conseguia ouvir outra coisa, estava até achando que havia ficado adicto ao Bicho, quando fui salvo por um som maravilhoso, emanado pela alma da Adriana Calcanhotto. Quando a canhotta estava começando a me escravizar, de forma preocupante, eis que me apresentam Mu Chebabi. Foi a minha libertação, pelo menos, temporária. Fiquei, irresponsavelmente, dançando com meu cachorro, ao som de sua Cleópatra: "que dia é hoje, que dia é hoje, já estamos muito perto do ano 2000...". Até que Matilda Kovak me ligue e desperte, fico com Chebabi.

O ser humano tem uma capacidade incrível de, em repetindo uma determinada ação, ficar muito ligado àquele hábito. Quando não existem substâncias químicas diretamente envolvidas, o próprio cérebro as produz.




© Kamil Yavuz

Diversas escravidões estão sendo criadas dia após dia. Uma das mais recentes formas de adicção é a de assistir futebol ao vivo. Muitas pessoas, mas muitas mesmo, perderam a liberdade depois de ficarem adictas às transmissões de partidas de futebol ao vivo. Na Espanha, mulheres criaram a associação das esposas de expectadores de futebol ao vivo, para discutirem os seus problemas conjugais após seus maridos terem tornado-se totalmente dependentes da emoção dos jogos de futebol ao vivo. Deve ser realmente complicado, para um torcedor do Real Madri, deixar de ver o jogo do time do Ronaldinho & Cia. passando direto na TV.

Para ficar dependente é relativamente fácil, porém, para largar um vício, o buraco é bem mais em baixo, como dizem os antigos. Uma vez que você se torne dependente de nicotina, por exemplo, dizer para si mesmo : "a partir de hoje, não fumo mais", não é tão simples quanto mudar de caminho ou trocar de CD.



Ziraldo

Entre as primeiras tragadas, aquelas das tonteiras e tosses, e a instalação da dependência, várias coisas se passaram, em vários sentidos. Física e psicologicamente.





Leda Bouzas - Professora de natação da Equipe 8, da AABB-Rio.

A natação é um dos esportes aeróbicos mais completos. Ela faz você ter amigos, prolonga e dá qualidade à vida. A prática da natação traz benefícios incalculáveis para a saúde, inclusive, liberando as tensões, quando se está muito nervoso. Com isso, reduz-se o stress, temos menos doenças e até um sono mais tranquilo. Nadar, como vimos, é bem mais indicado para aliviar tensão do que o matador...







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O QUÊ QUE EU POSSO SENTIR,
SÓ POR FALTAR UMA NICOTINAZINHA ?







Bom, uma vez que a dependência nicotínica já esteja devidamente instalada, a primeira e mais importante coisa que acontece, quando a pessoa fica sem a sua taxa habitual do alcalóide em seu sangue, é que vai dando uma vontade de fumar cada vez maior, a níveis, na maior parte das vezes, insuportáveis.



A nicotina tem uma chamada "meia-vida", isto é, um determinado tempo após o qual, o sujeito dependente tem que dar uma nova reposição para restabelecer o equilíbrio (?!?) anterior. Na maioria das pessoas, este tempo vai de vinte minutos à uma hora. Por exemplo, a pessoa acaba criando um tempo próprio, inconsciente, de fumar a cada 20 minutos. Quando dizemos inconsciente, quer dizer isto mesmo, que fuma-se naquele período apenas por necessidade, sem prestar-se atenção. Quando questionados, os fumantes confessam que de cada maço só um ou dois cigarros foram realmente degustados.





A imagem da publicidade dos cigarros Lucky Strike é um belo exemplo da nicotino-dependência, não tem hora para bater a fissura. Porém, como quase todos os adolescentes sonham em fazer barba, para sentirem-se mais velhos, porque não associar-se logo fazer-barba-ser-grande-fumar, tudo em uma fotografia só?

Pensando que das 24 horas do dia, passamos em média, oito delas dormindo, sobram portanto dezesseis de vida ativa. Aquele(a) que fuma num ritmo de 1 cigarro/hora estará consumindo praticamente um maço de cigarros por dia; o que dizer daquele(a) que se adaptou a 1 cigarro/20 minutos...

Há uma grande variação entre as pessoas, por motivos ainda não detectados claramente. Há as que acendem um cigarro com o anterior, e aquelas que podem ficar várias horas sem fumar sem aparente angústia. Há outras que quando vão dormir e percebem que os cigarros acabaram, pegam o carro e saem em busca de algum lugar que venda cigarros, por mais tarde que seja. Por outro lado, há as que só fumam em situações especiais, como em festas, etc. É um mistério. Hoje em dia há explicações inclusive genéticas para um fumante ter maior ou menor ligação com a nicotina. Infelizmente é impossível saber-se com antecedência que tipo de dependência cada pessoa terá.



Tem pessoas que precisam de apenas 2 a 3 miligramas de nicotina por dia. A média de consumo gira em torno de 20 a 30mg diários. Entretanto, há gente que chega a usar 80 mg / dia. Um grande sofrimento abateu-se, por exemplo, sobre uma senhora, Dona Madalena, já idosa, que consumia até 10 (dez) maços de cigarros em 24 horas.





Dona Madalena, 10 maços de cigarros por dia, Enfisema pulmonar e Infarto do coração como consequência. Vida às custas de um CTI instalado em casa. Mantém-se com cigarros apagados entre os dedos. A sua filha, Alahyde, criou-lhe um site.

A publicidade influencia muito na ligação das pessoas à nicotina, seja a direta _ os anúncios de cigarros, seja a indireta _ quando, despretenciosamente, colocam-se figuras conhecidas usando tabaco em suas vidas cotidianas.

Revista QUEM, no. 179, 13/fev/2004







O galã, Fábio Jr., misto de cantor e ator, apresentado na capa da revista como "o galã mais desejado do Brasil", é mostrado fumando na capa e no interior da revista (de pijamas). Este tipo de propaganda do fumo (só pode ser propaganda, pois, o cigarro não tinha qualquer relação com a matéria jornalística), é a pior para aqueles que estão tentando abandonar a nicotina ou para os que estão pensando sobre a possibilidade de entrar no tabagismo. Contra os anúncios ainda temos defesa consciente, porém, contra as mensagens subliminares é mais difícil.

Na matéria da Quem, é ressaltado o seu poder de sedução e de macheza, inclusive com a reprodução de um insólito e muito instrutivo diálogo, que teria sido travado entre um espectador de um de seus shows e o próprio galã tupiniquim: "Um cara gritou: 'Pra mim você é viado!' Eu respondi: 'Ah, é, meu filho? Então deixa a sua mulher 24 horas comigo para ver se ela volta para você!". Do ponto de vista da saúde pública, associar-se tamanha manifestação de vigor sexual ao ato de fumar pode ser catastrófico. A imagem do galã de pijamas, aparentemente preparando-se para saciar mais uma de suas fêmeas, ou tendo acabado de abatê-la, tragando prazerosamente o serial killer, derruba todas as mensagens anti-fumo que poderíamos criar para conscientizar os adolescentes sobre a babaquice que é fumar.





A mesma imagem fumacenta nos passa o mais amado compositor brasileiro da minha geração, Chico Buarque.

Bom, por enquanto, o que se sabe, sem dúvida, é que tudo está relacionado com a taxa de nicotina no sangue circulante da pessoa. Respeitando-se as particularidades individuais, por exemplo, tem aquela que não fuma pela manhã ou, só depois de tomar café; existe a outra que precisa fumar imediatamente antes de dormir. Retirando-se estas particularidades, cada uma delas acaba tendo a sua quantidade ideal (!?) de nicotina para as suas 24 horas.


"Está enlouquecido?"



"Não. Acabou o cigarro!"

A nicotina e seus derivados, são eliminados rapidamente pelos rins, junto com a urina: 40% em 3 horas, 85% em 6 horas e totalmente em 16 horas.





Existem situações especiais em que este ritmo pode se alterar mas, ainda assim, dependente da taxa de nicotina no sangue. Um dos casos mais comuns, é o da pessoa-fumante que está ingerindo bebida alcoolica:

"quando se fuma, a fumaça aspirada vai no sentido boca > traquéia > brônquios > alvéolos > vasos capilares (que tem este nome por serem finos como fios de cabelos), aonde enfim alcança o sangue. A partir deste ponto, a nicotina circula por todo o corpo, via sangue. Na passagem pelos rins, uma parte desta nicotina é eliminada, na urina, já com o nome de cotinina."





Continuando, o fumante, ao ingerir bebidas com teor alcoólico, altera o potencial Hidrogeniônico (pH) do seu sangue, com isto eliminando rapidinho a nicotina pelos rins, o que foi demonstrado dosando as taxas de cotinina na urina de indivíduos, antes e depois de terem ingerido álcool. Aí, o que acontece: durante o tempo em que aquele porre se avizinha, o(a) bacana começa a fumar um cigarro atrás do outro, desprezando totalmente aquele seu ritmo, inconsciente, mas que era o seu, de fumar a cada vinte minutos ou uma hora e, passa a aumentá-lo, chegando até mesmo ao exagero de acender um cigarro na brasa da guimba do outro anterior.

Ilustração de Lobo



Mistura diabólica _ cigarro e bebida alcoólica

O aumento da necessidade de nicotina passa a ser tão flagrante, que muitas vezes vemos a pessoa acender um cigarro quando ainda havia outro aceso no cinzeiro, em parte por estar devidamente bêbado, mas também por total descontrole nicotínico.





Até aí, tudo bem (!?!). Será só uma ressaca piorada, com os efeitos da mistura maquiavélica de álcool com cigarro. O problema vem mesmo, quando decide-se não mais repor a nicotina perdida...



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